Neste blog pretendo divulgar e discutir assuntos de meu ineteresse: escalada em rocha e em gelo, montanhismo, ecologia, livros ... além de assuntos com os quais trabalho profisisonalmente: método dos elementos finitos, méto dos elementos discretos, análise numérica e lógica fuzzy. Aqui você também pode encontrar textos e material de minhas aulas, alguma coisa sobre o melhor carro do mundo (Toyota Bandeirante) e citações. Ah!, e sobre música e o instrumento que toco (ou tento tocar): viola caipira.

Ou seja, tudo que eu gosto e faço Na ponta dos dedos.

Por que Projeto Peregrinus: em 2001 eu e mais cinco amigos escrevemos um projeto de patrocínio com esse nome, cujo objetivo era subir as mais altas montanhas de cada país sulamericano. O projeto não saiu do papel, mas a escolha do nome, bastante apropriada, foi feita por mim, após abrir aleatoriamente um dicionário Latim-Português. Essa foi a primeira palavra que li: peregrinus: aquele que viaja para outro país. A coincidência foi tão grande que me marcou muito. Como também pretendo falar de minhas viagens resolvi manter esse nome.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Você sabe que é pai quando...

Você sabe que é pai quando...

... após passar um bom tempo preparando 2 tipos de peixe e 4 molhos diferentes para a ceia de ano novo seu filho chega perto de você, e de todos na mesa, e diz bem alto “pai, quelo fazê cocô”.

Você tem certeza que e pai quando...

Levanta da mesa tropeçando devido ao excesso de vinho e o leva ao banheiro.

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Você sabe que é pai quando...

Você sabe que é pai quando...

...coloca seu filho pra dormir a 1 da manhã da primeira noite do ano. 

Você tem certeza que e pai quando...

... após ficar acordado até as 3 esperando a digestão e o efeito do vinho passar, ele te acorda antes das sete berrando “pai, quelo leite”, acordando todo mundo.

Você tem certeza absoluta que e pai quando... ... a bebê, em solidariedade ao irmão, começa a berrar também.

Você sabe que não tem mais jeito quando...

... resolve ficar acordado para escrever sobre a aventura de ser pai em seu blog.

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domingo, 23 de dezembro de 2012

Assim na escalada como na vida

Algumas pessoas me perguntam por que eu escalo. Outras, poucas, o que eu mais gosto na escalada. A primeira é difícil de responder, mas a segunda e muito fácil: conquista.

Uma conquista é quando somos os primeiros a subir por uma determinada rota, mesmo que a montanha já tenha sido escalada.

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Putz, que fria. O que que estou fazendo aqui? 

Máquina de furar, marreta e talhadeira, grampos, costuras, muitas fitas, corda de escalada, corda de reboque... apoiado apenas numa perna e em duas minúsculas agarras.

Tudo o que quero é sair dali. De preferência pra cima. Chega a ser contraditório: quanto mais subo, mais perto estou do meu objetivo e mais longe da segurança.

"Tá na boa?" Sim, tô numa boa, parceiro. Numa boa enrrascada.

 Esse ponto de equilíbrio não estável, como na física, é paralisante. Ao mesmo tempo o corpo começa a dar sinais de desgaste. O ácido lático começa a acumular, os músculos tremem. Borboletas voam no estômago. É nauseante de tão forte.

Que adrenalina que nada. É medo mesmo.

Dobre a perna, tome impulso, dê um bote se jogando para o alto e para a direita e pegue aquela agarra com a mão direita. Apoie o pé direito e coloque a mão esquerda junto com a direita. Faça uma barra e coloque o pé ao lado das mãos. Equilíbrio. Suba o corpo com a perna. Posição confortável para bater mais um grampo. E pronto.

Fácil. Todo o lance, a sequência de movimentos, como no xadrez, está claramente em minha mente. Bote, mão direita, mão esquerda, pé direito. Em minha mente fiz e refiz os movimentos várias vezes. Em minha imaginação dá tudo certo.

Mas a chance de cair é grande. Bem maior do que eu gostaria. Se cair tem que jogar o corpo para direita, escapando daquele bico de pedra.

Bosta!

"Se quiser se joga que eu travo"

Ah, claro, uma alternativa é tentar desescalar, provocar uma queda controlada. Como é tentadora a segurança da corda. Tirando o bico de pedra, seria só o susto da queda. Um berro e alguns palavrões, seguido de rapel até a base. Ah, a base. No momento deve ter lá a sombra daquela árvore. E água, muita água. A tranquilidade do mundo horizontal. O problema é olhar para cima, ver o lance não feito, visualizar a linha óbvia da conquista e sentir o gosto amargo e forte da desistência. Aquela vontade de voltar e tentar de novo, mas aí o momento, O momento, terá passado. Depois da desistência nunca sou o mesmo, seria ali um outro Marcello, um que sabe que já não conseguiu, que perdeu o momento. Desistir do prazer da conquista e do cume.

Minha perna treme ainda mais. Estou perdendo a força nos dedos, posso sentir o antebraço endurecendo. Em pouco tempo terei alcançado aquele nível de desgaste do qual não é possível se recuperar. Aí sim, a queda é praticamente certa.

Bote, mão direita, mão esquerda, pé direito.

Sei o que quero fazer.

Bote, mão direita, mão esquerda, pé direito.

Querer. Poder. Dever. Quero subir. Posso subir? Devo subir?

Como seria bom ficar aqui. Pra sempre. Sem ter que enfrentar a dúvida que me atormenta.

Cara, o que me trouxe aqui? Qual decisão tomada na escalada que me fez chegar nessa posição? Sei lá. Na verdade não é uma única decisão que me trouxe aqui. Foram todas, a cada momento e cada movimento. Cada passada que dei me trouxe aqui.

Bote, mão direita, mão esquerda, pé direito.

Agora está doendo. Meu tendão, já castigado pelo tempo e pelo uso, está no limite.

Quero subir. Posso subir? Devo subir.

Bosta! Não quero cair. Não quero desistir.

"Vai na fé"

Dane-se!

Só há um caminho. Para cima. É isso o que quero. Essa vontade vem da mente e do corpo.

Bote, mão direita, mão esquerda, pé direito.

Bote, mão direita, mão esquerda, pé direito.

Tá virando um mantra.

Dane-se!

"Segura na mão de Deus e vai. Domina o lance ae"

Bote, mão direita, mão esquerda, pé direito.

Bote, mão direita, mão esquerda, pé direito.

Bote, mão direita, mão esquerda, pé direito.

Dane-se!

É agora. Ou perderei a chance de vez.

Quero subir. Dane-se se posso subir ou não. É o que eu quero.

Melhor me arrepender por ter tentado do que por ter desistido.

Consequências? Não me importam mais. Melhor enfrentá-las do que perder o momento. Se é que já não o perdi. Mas não importa mais. Não há mais volta.

Bote, mão direita, mão esquerda, pé direito... Agora!

E em seguida, um longo e silencioso instante.

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sábado, 28 de janeiro de 2012

Escalada em Valença - Via ainda sem nome

Via ainda sem nome na Serra da Glória



Localização: Sítio Pedra Santa, Serra da Glória, Valença - RJ. A via está na vertente direita da Pedra Santa.

Grau sugerido: 3o IV

Ano da conquista: 2010

Conquistadores: Flávio Canedo e Marcello Goulart Teixeira, com a participação luxuosa de Aline Vassallo em sua primeira escalada (e conquista).

Via com uma única enfiada.

Croqui e fotos a seguir.




Flávio no início da conquista:

Flávio ainda no início da conquista:

Aline rapelando:


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